ORIGEM DO MÉTODO:

*Constelação Familiar Sistêmica é uma técnica desenvolvida há mais de quarenta anos pelo filósofo, teólogo e psicoterapeuta alemão Bert  Hellinger, e ao contrário do que o nome possa sugerir, refere-se ao posicionamento das pessoas dentro dos sistemas dos quais faz parte, sejam eles, grupos, famílias ou empresas. É um recente método psicoterapêutico que estuda os padrões de comportamento de grupos familiares através de suas gerações.

*É um método sistêmico pois entende o indivíduo como pertencente ao sistema do qual ele veio, a família. Assim, através dele é possível tomar consciência e compreender questões profundas, movimentos inconscientes que influenciam nosso comportamento e nos levam a ter as mesmas escolhas feitas por nossos pais ou avós. Olhar para a própria história, para os aspectos incompreendidos e que trazem algum bloqueio, permite superar as incongruências e criar novas possibilidades, restaurando a saúde psíquica e o fluir da vida.

*Bert se deparou com esse fenômeno nos anos 70 após observar os estudos de Virginia Satir, psicoterapeuta americana, que analisava as esculturas familiares. De acordo com Satir, quando uma pessoa “estranha” é convocada para representar uma família ou uma pessoa de grupo familiar, mesmo que não a conheça, acaba reproduzindo sintomas físicos e comportamentos similares desse grupo ou pessoa sem necessariamente saber algo a respeito dela.

*Na prática, a Constelação Familiar mostra que muitos de nossos problemas, doenças, incompreensões e sentimentos ruins podem estar ligados a outros familiares que passaram por essas mesmas adversidades, mesmo que não tenhamos conhecido os mesmos. Esse método explica que há uma repetição de comportamentos de acordo com gerações, mesmo que de uma maneira inconsciente.

CARACTERÍSTICA: FENOMENOLÓGICO EXISTENCIAL

Conforme o pensamento sistêmico, não existem vítimas ou algozes, certo ou errado, existem escolhas que são feitas baseadas nas condições que a pessoa apresenta naquele determinado momento e que geram consequências. Dessa forma, não existe culpado e sim parcelas de responsabilidades que devem ser assumidas pelas pessoas envolvidas na situação.

A CONSTELAÇÃO MOSTRA O FENÔMENO E SE A VIDA PERMITE UMA EXPLICAÇÃO É UM PRESENTE

PRINCÍPIOS:  Alguns princípios devem ser respeitados no funcionamento dos sistemas, caso contrário, ocorrem os desequilíbrios, e consequentemente, sofrimento. Hellinger propôs que há uma “consciência de clã” em todos nós que é norteado por simples “ordens arcaicas” ou “ordens do amor”, que se referem a três princípios norteadores:

 

  1. PERTENCIMENTO – Para sobreviver precisamos pertencer a um sistema, temos a necessidade de pertencer ao grupo ou clã. Cada indivíduo possui um lugar correspondente ao seu papel dentro do sistema e deve se comportar como tal, tendo o direito de pertencer e ser reconhecido por isso.
  2. HIERARQUIA – A necessidade de hierarquia dentro do grupo ou clã. É necessário ainda obedecer a hierarquia existente dentro de qualquer sistema, na medida em que quem vem antes tem o maior lugar e precede o que vem depois. O mais velho sempre tem mais a dizer.
  3. EQUILÍBRIO ENTRE DAR E TOMAR/RECEBER:

Em todas as relações deve haver o equilíbrio entre o dar e o receber (tomar para si) entre as pessoas. A única relação dentro do sistema em que não há o equilíbrio entre o dar e o receber é a relação entre pais e filhos, pois os pais dão a vida e os filhos a tomam e não há nada que possa compensar ou retribuir aos pais tamanho presente. Além disso, essa ligação de profundo amor mútuo faz com que o dar e o tomar entre eles seja quase ilimitado, então os filhos podem esperar quase tudo de seus pais e os pais estão dispostos a dar quase tudo a seus filhos.

Essas “ordens” atuam tanto em nossos relacionamentos familiares como os íntimos e amorosos e a conexão harmoniosa com essas ordens não dão uma sensação de paz e nos faz sentir acolhidos e pertencentes a um grupo.

OBJETIVO: A partir da Constelação fica claro para a pessoa qual o próximo passo que ela deve tomar na solução do problema, no sentido de se libertar do que não quer repetir na sua vida, daquilo que dificulta o equilíbrio, a paz e a felicidade.

Onde esse método é aplicado?

Tendo em mente como que esse método funciona e os benefícios que aparecem com o estudo dos comportamentos de nossa família, isso nos ajuda com a melhoria das relações familiares, relações no ambiente educacional e consequentemente melhorias das relações interpessoais nas empresas, uma vez que ao entender características de nossas famílias estaremos aptos para entender a nós mesmos e como resolver problemas pessoais.

REPRESENTAÇÃO DOS PAPÉIS: Como funciona esse procedimento na prática?

Quando um cliente resolve estudar esse método, ele apresenta um tema que será trabalhado para seu terapeuta. Com isso, o profissional irá solicitar informações sobre os membros de sua família que passaram por experiências fortes como graves doenças, assassinatos, mortes precoces, problemas de relacionamentos, além do número de irmãos, casamentos anteriores e etc. Com essas informações na mão, o terapeuta pede que o cliente escolha membros da família que, de acordo com ele, representam todo o grupo ou a ele mesmo, e a partir daí esse profissional relaciona as vivências desses membros com o de seu cliente, além das relações dos mesmos dentro das “ordens do amor” e as conexões com o sistema familiar. Com isso, ele e o cliente encontrarão uma solução para que os representantes encontrem um lugar em que se sintam bem, confortáveis e incluídos dentro do grupo familiar.

A MÃE

A primeira ligação que temos quando começamos a existir é com a mãe, onde ficamos durante nossa gestação. A mãe representa a nutrição, o cuidado, o aconchego, a harmonia, o presente, a segurança. O início da nossa formação orgânica, cerebral e subjetiva se dá no meio intrauterino e é permeado pelo campo relacional que o bebê tem com sua mãe, logo, essa relação já existe e interfere na nossa constituição simbólica, nas primeiras referências de recepção de estímulos com as quais aprendemos inconscientemente a forma de nos relacionarmos com o outro e com a vida. A mãe faz o intermédio da relação pai-filho, cabendo a ela autorizar a ida do filho ao pai.

 O PAI

O pai que representa o limite, as leis, o futuro, a abertura de caminhos, a exploração de novos territórios, o êxito, a vida profissional. O pai deve conduzir o filho a superar os desafios do mundo externo, facilitando o desenvolvimento da segurança, coragem, senso de enfrentamento.

A relação entre pai e mãe é uma relação de equidade, em que os dois estão no mesmo nível hierárquico, dão e recebem entre si igualmente, cada um reconhecendo importância do outro e respeitando seu lugar e espaço na convivência com o filho, caso isso não ocorra o sistema fica desequilibrado. Mesmo que os pais se separem, essa consciência da importância do papel do outro na educação e transmissão de valores ao filho deve ser preservada, pois um não consegue substituir o outro e somente consegue fazer plenamente o que cabe a seu papel se não estiver se ocupando em assumir também o papel do outro ou negando a ele o direito de exercê-lo.

 

O FILHO

Somente quando a relação dos pais está em equilíbrio é que o filho consegue se colocar no seu lugar, pois se ele percebe o desequilíbrio, entende que um não é bom o suficiente para o outro, por amor a esse outro, acaba se colocando inconscientemente na posição de salvador e quer substituir o um, assumindo o seu lugar. Exemplificando, se na relação dos pais o filho percebe que a mãe está sofrendo e que o pai está causando esse sofrimento, entende que o pai não é bom o suficiente para a mãe, então por amor à mãe e querendo salvá-la, ele se coloca no lugar do seu pai. Nesse caso, ele julga o pai e se acha melhor do que ele, então não consegue tomar internamente seu pai para si, pois não está no lugar de filho, nem considerando seu pai como tal, logo, essa relação desarmônica será modelo paterno que ele carregará consigo e irá reproduzir futuramente.

Conforme o filho cresce, os pais devem colocar limites para que ele amadureça e possa se posicionar futuramente como adulto, porém muitos filhos ficam com raiva de seus pais porque querem manter a dependência original, mas é justamente porque os pais desiludem essa expectativa que ajudam o filho a se libertar passo a passo dessa dependência e ir assumindo as responsabilidades e as consequências de seus atos, transformando-se de tomador em doador.

Na hierarquia familiar, os pais são os grandes, os maiores, os doadores e já os filhos são os menores, pequenos e tomadores. Assim, se colocar no papel de filho é assumir esse lugar, é aceitar e internalizar o pai e a mãe assim como eles são, sendo grato a eles por tudo o que doaram e assim, conseguir ser independente e tomar a vida sendo protagonista dela, ressignificando o passado e se libertando da repetição dos padrões indesejáveis.