Olá queridos(as)! Muitas pessoas chegam ao meu consultório se queixando de falta de ânimo e disposição, sentindo-se sufocadas emocionalmente ou pesadas, às vezes até com muitas dores no corpo ou sugadas energeticamente. Isso pode se dar de maneira geral, quando percebem essas sensações durante grande parte do dia e em todos os ambientes, ou em alguns casos, quando se localizam em algum local, evento ou relação.

Esses sintomas podem estar associados a forma como exercemos ou não nossas funções, como estamos nos posicionando diante da vida, percebendo a realidade e nos comportando. Por isso, resolvi falar um pouco sobre alguns fatores que podem contribuir com esse desgaste energético e como podemos nos blindar deles. Lembrando que dependendo da intensidade e duração dessa sensação, pode estar relacionada a uma síndrome ou doença, daí a importância de procurar um profissional para verificar as causas e fazer o tratamento adequado.

Quando uma pessoa assume papéis que não são dela, isso desorganiza todo o sistema, ou seja, todos que estão à sua volta e são impactados pelas suas ações. Ela acaba tendo que lidar com problemas e situações de uma outra pessoa, logo, pega algo do outro e assume como se fosse seu, o que leva a uma sobrecarga, além de repercutir em atritos, disputas e problemas de relacionamento com aquele a quem de fato cabe o respectivo papel e com os demais envolvidos.

Da mesma forma, quando se deixa de assumir os próprios papéis e cumprir as funções que lhe cabem, arcar com as consequências desse desequilíbrio também drena energia. Se eu não dou conta do que é meu e transfiro para outra pessoa, essa pessoa acaba fazendo, mas ficará insatisfeita e inconscientemente vai cobrar um preço por isso, seja se sentindo injustiçada, reclamando ou cobrando. Sempre digo que na vida tudo tem seu preço e que tudo o que não tem preço custa caro, às vezes parece difícil resolver os nossos problemas, mas custa mais não os resolver ou delegar para outra pessoa.

Outra forma de se perder energia é repetir padrões ineficazes dos pais, ou seja, quando acabamos fazendo a mesma coisa que tanto criticamos nos nossos pais. Lições que poderíamos ter aprendido com base na experiência de vida deles mas que quando julgo e critico, isso significa que não entendo e não aceito, assim, acabo reproduzindo inconscientemente, buscando e vivenciando as mesmas situações.

Também quando alguém tolera o que não gosta para obter atenção ou para não desagradar o outro, passando por cima de valores e contrariando a si mesmo, suas verdades e crenças, popularmente dizemos “engolir sapo”. Aqui não me refiro ao fato de não saber lidar com diferenças ou frustrações, ou exigir que tudo seja do seu jeito, isso é pirraça da nossa criança interna mimada. Refiro-me a aceitar situações que vão contra os valores e princípios para querer atender às expectativas dos outros, negar a si mesmo para ser quem o outro espera de você.

Não estabelecer limites nas suas relações e no seu espaço e deixar que qualquer um invada sua rotina, sua casa, se intrometa nas suas relações, sem sequer ter sido solicitado para isso. Quando nos tornamos reféns do desejo do outro deixamos de preservar e cuidar do que é importante e sagrado, e isso prejudica a organização  interna, a qualidade das relações e traz desgastes desnecessários.

O vitimismo e a carência nos colocam num lugar de impotência e fraqueza, uma vez que ao se comportar como vítima ou carente, a pessoa adota uma postura de aceitar tudo o que vem e deixa o outro comandar a sua vida, se percebendo dependente dele e sem condições de mudar a situação, se submetendo a ela. Nessa mesma linha de pensamento e comportamento há ainda o autoabandono e o não merecimento, quando deixamos de nos cuidar e atender nossas próprias demandas e quando acreditamos que não merecemos algo melhor.

Outros fatores que causam grandes perdas de vitalidade e energia, tanto física quanto psíquica, e que por muitas vezes deprimem nosso cérebro são a culpa e a falta de perdão. Quando alguém se culpa por algo que fez, não consegue se perdoar e nem aprender com o erro, fica se subestimando e se depreciando num ciclo infindável de sofrimento e pensamentos destrutivos. Não perdoar os outros e ficar remoendo mentalmente o que aconteceu e não consegue aceitar, também consome muita energia, além de trazer sentimentos que desvitalizam como tristeza, revolta e raiva.

Sabendo o que devemos evitar, podemos nos focar nas formas de preservar e elevar o nível energético. Conhecer a si mesmo e respeitar seus limites, ser verdadeiro e agir de maneira coerente com seus valores; estar integro com todos seus papéis; seguir em frente e assumir o que é seu, desapegando-se de hábitos, pensamentos, sentimentos, lugares e pessoas que te fazem mal; cuidar da sua saúde física, mental e emocional e cercar-se de pessoas igualmente saudáveis; procurar estar em paz e em sintonia consigo mesmo; ativar sempre o estado de gratidão; ter planos, projetos de vida e agir em conformidade para realizá-los.

E aí, quanto de seus pensamentos, ações e sentimentos estão facilitando ou dificultando sua perda de vitalidade e energia? Quanto do seu tempo você investe para cuidar da sua energia física, mental e emocional?